Todo mundo já ouviu falar que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Pode até ser verdade, mas, no fim das contas, o que realmente importa para aqueles que trabalham ou pretendem trabalhar com fotografia é o quanto vale, em moeda corrente, o seu clique.

Ter conhecimento acerca do tema é essencial, do contrário você pode acabar pagando para trabalhar. A quantia deve ser suficiente para cobrir todos os seus gastos básicos, seus gastos com o trabalho e equipamento, bem como alguns custos secundários, tais como o pró-labore e investimentos.

A princípio, tudo isso soa bastante complicado, mas, neste artigo, mostraremos o que levar em conta para acertar o quanto cobrar na fotografia. Confira a seguir!

Gastos Básicos

Aluguel, condomínio, contas de água, luz, telefone fixo e móvel, internet, alimentação, transporte, medicamentos e por aí vai. Pode parecer muita coisa, mas acredite: isso é só a pontinha do iceberg.

O preço que você cobra tem de incluir todos esses custos. Isso não significa que ao final de um evento você deve entregar as suas faturas e boletos ao cliente e pedir, por gentileza, que pague tudo antes do vencimento. O principal propósito dessa contabilização é verificar o total dos seus gastos e estimar o quanto você tem que cobrar em cada trabalho para obtê-lo.

Considere que você precise de R$ 3.500 para fechar suas contas de janeiro, e que nesse mesmo mês tenha 5 eventos para cobrir. O valor mínimo que pode cobrar de cada cliente é R$ 3.500 (o total dos gastos) dividido por 5 (quantidade de eventos): R$ 700,00.

Se você não tem o hábito de realizar o controle das finanças, pode ficar perdido no começo. Então, para evitar que isso ocorra, utilize uma planilha de fluxo de caixa. Elas são sempre uma verdadeira mão na roda.

Gastos com trabalho

Aqui você deve contabilizar tudo o que torna viável o exercício da profissão: cachê de assistentes, o aluguel do seu estúdio, a compra de materiais de escritório (papel ofício, cartucho de impressora, canetas) e a licença de um software de edição de fotos. Se houver telefone e internet em seu estúdio, o valor pago por esses serviços também deverá ser considerado, bem como o valor referente às contas de luz e água do imóvel.

É imprescindível, também, que você atente para a depreciação do seu equipamento. A cada dia que passa a sua câmera vai sendo sobrepujada por outros modelos e o próprio ato de clicar danifica gradualmente alguns componentes internos, de modo que, após um período, as fotos já não apresentarão a mesma qualidade de antes — o nome disso é obsolência programada.

Nesse ponto é inevitável trocar o corpo de sua câmera. Para calcular o valor da depreciação do equipamento, siga esta fórmula: valor do equipamento em reais dividido pelo período em meses que você pretende usálo antes de trocar. O resultado será o valor que você precisa reservar por mês para custear a troca.

Vale lembrar que não é apenas a câmera que sofre depreciação; aqui você deve incluir todo o gear utilizado nos diversos processos do seu trabalho: notebooks, mesas digitalizadoras, baterias, cartões de memória etc.

Custos secundários

Quer você viva exclusivamente de fotografia, quer não, o seu serviço deve trazer algum percentual de lucro. Não faz sentido algum trabalhar apenas para cobrir os gastos que se tem com o próprio trabalho. Para alcançar crescimento pessoal e profissional, o valor que você precisa obter deve superar, com uma margem razoável, os seus gastos básicos e de trabalho.

É esse montante excedente que custeará, por exemplo, o prólabore, que corresponde a uma espécie de salário, compatível com os serviços realizados profissionalmente e com o tempo e esforço que você, como gestor, dedicou ao próprio negócio. Existem também gastos inerentes à carreira que você pode ter de assumir, na condição de seu próprio chefe, como férias e 13° salário.

Por fim, é dessa margem de lucros que virá a provisão para os seus investimentos em fotografia — cursosworkshops — ou em produtos que trarão algum retorno financeiro — capitalizações, previdência privada, aquisição de imóveis etc.

Checando o mercado

O valor final do serviço tem de abarcar os seus custos e o percentual de lucros, e, ao mesmo tempo, ser atraente para o cliente e razoável para você. Verificar os preços praticados no mercado por meio de pesquisa, ajuda a evitar os extremos de cobrar pouco — e matar o seu negócio — e de cobrar caro — e fazer os clientes sumirem.

Outra vantagem da pesquisa é que ela fornece um panorama abrangente e detalhado da situação mercadológica. De posse de tais informações você pode ofertar um serviço exclusivo e singular, capaz de superar as expectativas da clientela mais exigente e preencher as lacunas deixadas pelos seus concorrentes.

A consequência direta disso é que ao agregar tamanho diferencial ao seu trabalho você passa a ter a possibilidade de cobrar valores mais altos, condizentes com o produto oferecido.

Quanto custa afinal?

Para ilustrar, vamos imaginar que um cliente em potencial solicitou a você o orçamento da fotografia para o casamento dele. Com esse, você tem agora quatro casamentos para cobrir no mês. Suas contas, de casa e do trabalho, somam R$ 2.400,00. Nesse caso, o mínimo a ser cobrado seria R$ 600,00 por evento.

É preciso estabelecer agora o percentual de lucros — lembre se de que ele não pode extrapolar muito o valor praticado no mercado, ou isso afastaria os clientes. Nesse caso, suponhamos que o lucro estipulado equivalha a 100% dos custos: outros R$ 600,00.

O preço de cada casamento, até agora, é R$ 1.200,00. Contudo você pode precisar contratar um assistente: R$ 300,00. Além disso o cliente pode querer um álbum: R$ 800,00 e um quadro com uma colagem das fotos: R$ 200,00.

Neste caso o valor do serviço é dado por R$ 1.200 (custo + lucros) + cachê do assistente R$ 300,00 + álbum R$ 800,00 + quadro com colagem das fotos R$ 200,00. Nesse caso, o orçamento, tal qual solicitado, é de R$ 2.500.

Quem poderia imaginar que existiriam tantas coisas envolvidas no valor do seu clique, não é mesmo? Saber quanto cobrar na fotografia é essencial para garantir um ganho satisfatório, promovendo assim um bom retorno profissional.

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